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- Centro Terra Viva aprimora colheita de dados sobre a pesca artesanal
O Centro Terra Viva realizou na semana finda uma visita técnica aos centros de pesca de Maphanga e Nhonguane (Santa Maria), Agostinho (Mabuluco), Changula e Portinho (KaNyaka), com intuito de aprimorar o processo de recolha de dados que vai culminar com a elaboração do relatório da pesca artesanal e de subsistência que ocorre naquela região. A actividade tem vindo a ser realizada por monitores devidamente treinados, com recurso a formulários, equipamentos e metodologias estrategicamente elaboradas com objectivo central de recolher informação relevante sob supervisão directa da equipe técnica do CTV. Durante a missão houve a actualização de informação sobre os pescadores, colectores de invertebrados, número de embarcações activas e inactivas que vai culminar com a melhoria da qualidade, da consistência e da fiabilidade dos dados recolhidos no terreno, fundamentais para a gestão das pescarias. O CTV possui um papel relevante monitoria do estado de recursos marinhos e costeiros, não só naquela parcela do país, contribuído para o apoio à gestão sustentável dos recursos marinhos particularmente no contexto do Parque Nacional de Maputo, com enfoque na monitoria da pesca artesanal e de subsistência. A área adjacente ao Parque Nacional de Maputo tem vindo a enfrentar uma pressão crescente, sobretudo de pescadores oriundos de locais, associada aos impactos das mudanças climáticas, que afectam outras actividades económicas rotineiras e dos meios de vida das comunidades costeiras, aumentando a dependência e a vulnerabilidade sobre os recursos marinhos e não só.
- Diversas realizações marcam as comemoracoes do Dia Mundial da Biodiversidade
Decorrem hoje em vários quadrantes do nosso país diversas actividades com destaque para sessões de reflexão, palestras, exposições fotográficas e de Posters científicos em prol do dia Mundial da Diversidade Biológica, que se assinala a 22 de maio de cada ano. A efeméride foi proclamada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1992 com intuito de promover a importância da conservação da biodiversidade. Na Cidade de Maputo, as comemorações vão decorrer também na Universidade Pedagógica onde docentes, ambientalistas, estudantes e o outros actores sociais vão reflectir sobre os desafios e oportunidades para a conservação da biodiversidade em Moçambique, no contexto da Estratégia e Plano de Acção para a Conservação da Diversidade Biológica em Moçambique (2015-2035) que descreve o país com abundantes recursos naturais, nos vários ecossistemas. A Avaliação do Estado, Tendências e Ameaças à Biodiversidade em Moçambique BIODEV2030. Maputo, da IUCN (2021) indica diversos factores que afectam a biodiversidade quer de forma directa ou indirecta, com destaque para, o desmatamento, a exploração excessiva de recursos naturais, as mudanças climáticas, a mineração, incluindo a poluição, a degradação dos ecossistemas costeiros, pobreza e o crescimento populacional. Como consequencias, o documento destaca a perda da biodiversidade, degradação de ecossistemas e a redução de beneficios ambientais que a biodiversidade oferece às comunidades moçambicanas. Face as constatações negativas, a IUCN recomenda várias acções para reverter as ameaças à biodiversidade incluino medidas de âmbito legal, técnico, social, económico e institucional, que possam culminar com o fortalecimento das acções do uso dos recursos naturais e no envolvimento activo efectivo das comunidades na gestao da biodiversidade. As actividades realizadas nesta efeméride, criaram espaço para a indetificação do papel de cada interveniente, tanto como instituicional como individual, para a conservação da biodiversidade. E serviram igualmente para reforçar os apelos à responsabilidade colectiva para a protecção dos ecossistemas, num contexto em que os desafios ambientais exigem intervenções ambientais pró-activas. Refira-se que a biodiversidade constitui um dos principais atractivos turisticos de Moçambique, sobretudo em áreas de conservação, pelo que a conservacao dos recursos naturais e contribuir para o rescimento economico do nosso pais.
- Responsabilidade corporativa e os direitos humanos em processos de reassentamento em Moçambique Discutidos em Maputo
Vários especialistas participaram no seminário que analisou as dinâmicas de reassentamento e a proteção das comunidades afectadas por projectos de desenvolvimento, com foco especial no sector extractivo. O evento realizado na cidade de Maputo no passado 28 de abril, tinha como propósito, promover uma reflexão técnica e jurídica sobre os mecanismos de proteção, reparação e salvaguarda das comunidades que enfrentam reassentamento involuntário. O seminário organizado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), em colaboração com o Centro de Direitos Humanos da Faculdade de Direito da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) reuniu acadêmicos, juízes, estudantes, organizações da sociedade civil e representantes do sector privado, tendo decorrido num contexto de evolução dos instrumentos internacionais de direitos humanos, incluindo os Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Negócios e Direitos Humanos e os novos Princípios Orientadores sobre o Reassentamento, adoptados em 2024. Essas normas enfatizam a importância de garantir o Consentimento Livre, Prévio e Informado das comunidades afectadas e de tratar o reassentamento como uma medida de último recurso. Vários temas foram discutidos com destaque para o enquadramento normativo regional internacional e nacional, passando pelo empoderamento regional internacional recentemente, tendo apontado que a terra é fonte de educação, cultura, sobrevivência e riqueza, e não se desvincula dos direitos humanos. Outro tema discutido tem a ver com os problemas ligados aos assentamentos em Moçambique, tendo demonstrado a existência do quadro legal e institucional para a promoção de direitos humanos garantidos em assentamentos dignos, mas também aponta desafios como assimetria das comunidades e multinacionais, dependência econômica em relação ao Estado, fraca capacidade técnica e legal, corrupção e morosidades tribunais. As condições de vida das cidades onde se exploram recursos naturais, também foram alvo de análise questionando-se o desenvolvimento social do desenvolvimento efectivo nessas zonas. No geral, sublinhou a existência de instrumentos internacionais que visam a promoção de assentamentos dignos e, portanto, o assentamento não pode significar a perda de riquezas e direitos das comunidades e dignidade, nem é um mal necessário, mas deve ser visto como um mecanismo de última estância. O Seminário, no qual o CTV partilhou a sua experiência em contextos de reassentamento, mais concretamente sobre os mecanismos de Queixa e Reclamações e Litigância, os participantes expressaram preocupação com as contínuas violações de direitos humanos, que são frequentemente atribuídas à falta de vontade política e ao mau funcionamento das instituições do Estado, como o Parlamento e os tribunais, que muitas vezes enfrentam problemas de captura institucional e corrupção. Também foi destacado o acesso limitado à justiça para as comunidades afectadas pelo reassentamento, que é agravado pelos altos custos processuais e pelas dificuldades econômicas que dificultam o exercício efetivo de seus direitos. Já na fase das reflexões, os participantes, partes dos quais, oriundos de locais de reassentamento (Massingir, Mahubo e Tenga), observaram que, em tempos de crise, o Estado Moçambicano enfrenta dificuldades para identificar prioridades e reconhecer adequadamente os problemas mais críticos. Facto que, por sua vez, compromete a formulação de soluções eficazes e sustentáveis. Já no capítulo das recomendações apresentadas, foi enfatizada a necessidade de aprimorar a legislação nacional sobre reassentamento, promovendo uma colaboração mais forte entre universidades, organizações da sociedade civil e instituições internacionais. Além disso, é essencial adoptar uma abordagem mais interdisciplinar na criação de instrumentos legais, integrando contribuições de áreas como ética, antropologia e outras ciências sociais, além da perspectiva jurídica. Por fim, foi considerada importante a discussão sobre a criação de tribunais especializados na gestão de recursos naturais, uma vez que os tribunais actuais nem sempre têm o conhecimento técnico necessário, o que pode resultar em decisões mal fundamentadas. Também chamou-se atenção para a ideia de que os assentamentos não podem significar sequer expropriação das terras ou transferência de uma zona para outra, mas sim o mecanismo que respeita os direitos humanos e garante a sua efectiva promoção. Com estas reflexões, os organizadores pretendem contribuir para que os processos de reassentamento em Moçambique sejam encarados não apenas como operações logísticas, mas como uma abordagem que respeite os direitos humanos, assegurando a dignidade, os meios de subsistência e a coesão social das comunidades afectadas.






