Comunidades da Província de Inhambane agastadas com o abate das suas árvores Membros das comunidades de Anhane, Rovene, Lino, Lionzuane, Nhabacale, Fajimo e Morrungulo, no Distrito da Massinga, Província de Inhambane, estão agastados com o Governo local e com a Empresa Electricidade de Moçambique (EDM). A contenda deriva do facto da EDM estar neste momento abater benfeitorias sem prévio consenso das comunidades e sem indemnizações alegando a expansão da rede eléctrica até ao povoado/comunidade de Morrungulo, para fornecer corrente eléctrica da rede nacional as comunidades e estâncias turísticas.
O CTV foi contactado por estas comunidades a solicitar apoio para ultrapassar essa situação. Os membros das comunidades acima citadas com excepção de Anhane, informaram que houve apenas um encontro para informar sobre o projecto e para garantir que estes também sejam beneficiados da ligação da rede eléctrica. Os mesmos concordaram que alguns coqueiros fossem abatidos, mas a área que esta a ser devastada é superior à que a comunidade cedeu. Essa accão causou revolta destas comunidades. Com o agravante que os técnicos da EDM proferiam injúrias às comunidades quando estas reclamassem os seus direitos pois estes levaram consigo o lanho e coco sem consentimento das comunidades, e ainda invadiram um cemitério familiar, cortando ramos cuja queda danificou parcialmente as campas.
Por sua vez, na comunidade de Anhane afirmou que não houve informação nenhuma, as equipes da empresa entraram e abateram as benfeitorias. Durante esse processo houve famílias que perderam de 30 à 50 coqueiros uma das principais fontes de renda destas comunidades entre outro tipo de árvores. Após a revolta destas, os chefes de posto de localidade foram à comunidade e esta afirmou que só aceitaria que se abatessem as benfeitorias na condição de pagamento das indemnizações, algo que a EDM até ao momento não se manifestou tendo apenas iniciado o corte das árvores.
Questionados sobre este assunto, os chefes de posto administrativo da Massinga e de localidade de Rovene informaram ao CTV que esta acção surge em resposta a sucessivas solicitações de electrificação das comunidades e para tal, realizaram um encontro com a presença do responsável da EDM, onde as comunidades foram informadas sobre o projecto e todas concordaram que houvesse abate de benfeitorias por onde passará a linha para dar espaço a implantação dos postes que transportarão a energia eléctrica, sem indemnização.
Por seu turno as comunidades informaram ao CTV que estão agastadas com esta situação, "não é a primeira vez que isso acontece. Toda vez que há um projecto, como ampliação da Rua que liga a estrada nacional n°1 à Morrungulo, quando passam linhas ao longo da estrada nacional, linhas que vão as estâncias turísticas a comunidade sofre, ninguém vela por nós. O Estado aumenta a pobreza pelo facto de nos tirar a nossa pobre renda? disse um membro da comunidade.
Um outro membro afirmou que "Quando questionamos qual seria o nosso benefício resultante de abate de benfeitorias, disseram que haveria redução no valor e contrato, que custa 3.500,00mt para 875,00mt. Valor que não concordamos pois não temos onde tirar essa renda. Se ao menos isentassem o pagamento de contrato e alguns meses fornecendo energia, já que a empresa diz que não tem dinheiro, essa seria a melhor solução para nós".
O CTV tem estado a encetar contactos com governo distrital, chefe de posto administrativo para organizar um encontro de mediação do conflito.
Notícia Por: CTV
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