Organizações ambientalistas da África Sub-Sahariana avaliam respostas das comunidades face às mudanças climáticas e seu impacto na biodiversidade Representantes de algumas organizações que actuam na área do ambiente em Moçambique, Namíbia, Tanzânia, Madagáscar, Camarões e Quénia, reuniram-se em Nairobi, capital queniana, para partilhar experiências no que tange à respostas das comunidades dos seus países, face às mudanças climáticas e avaliar os impactos destas sobre a biodiversidade. O Centro Terra Viva (CTV) foi a única organização não-governamental moçambicana que participou no evento, o qual decorreu de 14 a 16 de Agosto de 2018. O mesmo foi promovido pelo Africa Biodiversity Collaborative Group (ABCG), coligação de sete organizações não-governamentais internacionais, sedeadas nos Estados Unidos da América, que trabalham na área de conservação, em diferentes países do continente africano, incluindo Moçambique.
O ABCG é composto pela African Wildlife Foundation, Conservation International, The Jane Goodall Institute, The Nature Conservancy, World Resources Institute, Wildlife Conservation Society e World Wide Fund For Nature (WWF).
O encontro de Nairobi surgiu após a realização de uma pesquisa, anos atrás, nos seis países africanos convidados. Estudos similares foram realizados também no Gabão, Uganda, Zâmbia, Zimbabué e na República Democrática do Congo.
A referida pesquisa identificou impactos das mudanças climáticas sobre as comunidades humanas e avaliou as implicações das respostas destas mesmas comunidades sobre a biodiversidade. Em Moçambique o estudo foi realizado, em 2016, pelo CTV em parceria com o World Resources Institute (WRI) nas províncias de Maputo e Gaza, abrangendo os distritos de Matutuíne e Chókwè, respectivamente.
Nos dois distritos a pesquisa explorou, através de entrevistas a informantes-chave, aspectos tais como mudanças mais significativas nas condições climáticas e clima sentidas e observadas pelas populações num período anterior de 5 anos, impactos dessas mudanças e respostas observadas em termos de meios de subsistência, bem como as suas implicações sobre a biodiversidade. O estudo culminou com a elaboração de um relatório documentando a situação das mudanças climáticas nos dois distritos, o qual foi apresentado às autoridades governamentais locais e, posteriormente, canalizado ao WRI.
Esta instituição juntou informações de todas as pesquisas realizadas nos países africanos acima indicados e concluiu que na região sub-sahariana, nos últimos 5 anos, a temperatura registou aumento comparativamente há 20 anos atrás. Constatou ainda que a precipitação vem diminuindo, ocasionando períodos de seca prolongada em muitos países da região. Quanto ao impacto das respostas das populações face às mudanças climáticas sobre a biodiversidade, o ABCG aponta Madagáscar, Gabão, Camarões, Uganda e Tanzânia como países onde as alternativas encontradas pelas pessoas, para enfrentar o problema, afectam negativamente os ecossistemas. Nos restantes países, incluindo Moçambique, as iniciativas locais de adaptação às mudanças climáticas, reportadas pelos estudos efectuados, são descritas como pouco prejudiciais à biodiversidade. Com base nas respostas humanas às mudanças climáticas, identificadas pelas pesquisas efectuadas, o ABCG identificará e priorizará estratégias de adaptação baseadas em ecossistemas, tais que reduzam a vulnerabilidade das comunidades rurais em relação ao fenómeno e reforcem iniciativas de conservação da biodiversidade.
Notícia Por: Lino Manuel
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