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Garimpeiros treinados sobre método alternativo ao mercúrio na extracão artesanal de ouro
Vinte garimpeiros dos distritos de Namuno e Ancuabe, na Província de Cabo Delgado, receberam no passado mes de Fevereiro, um treinamento sobre um método alternativo na extracção artesanal de ouro em substituição do mercúrio. Os formandos eram oriundos de oito associações mineiras destes distritos, incluindo duas mulheres das associações de Wacueia e Nanlia.

Esta actividade enquadra-se dentro do projecto "Mineração Artesanal, Direitos Ambientais e Culturais em Cabo Delgado", que esta a decorrer nesta província deste 2017, implementado pela parceria entre a Medicus Mundi (MM) e o Centro Terra viva (CTV), tendo sido facilitada com o apoio técnico da organização não governamental dinamarquesa Dialogo. Com este treinamento, pretendeu-se aumentar os conhecimentos do grupo alvo sobre o sector da mineração artesanal, riscos ambientais e para a saúde associados e promover alternativas ambientalmente saudáveis.

O evento de dois dias tinha como objetivo testar o método, de forma pratica, em áreas de mineração artesanal com uma aderência de 25% de garimpeiros de ouro dos dois locais seleccionados (Wacueia e Nanlia). Adicionalmente, esta actividade constitui um primeiro passo na preparação de uma pesquisa sobre o uso de métodos alternativos ao mercúrio.

O treinamento contou com a participação de vários intervenientes, entre os quais representantes dos Serviços Distritais de Atividades Económicas, Direcção Provincial dos Recursos Mineiras e Energia e da Terra, Ambiente e Desenvolvimento Rural, da equipa dos consultores/formadores da Diálogos e técnicos da Medicus Mundi e do CTV.
Em termos de passos subsequentes, no final deste treinamento foram distinguidos quatro garimpeiros, dois de Wacueia e dois de Nanlia, que se destacaram na assimilação dos conteúdos para posterior disseminação do método para outros garimpeiros locais.

Espera-se que o treinamento constitua uma grande valia para a melhoria de técnicas de extracção do ouro tendo em conta a necessidade de manutenção da saúde dos próprios trabalhadores das minas, na elevação da sua qualidade de vida, e a necessidade da preservação do meio ambiente, uma vez que a técnica experimentada permite reduzir a contaminação, podendo mesmo ser usado nos cursos dos rios sem grandes consequências. As mesmas aguas podem ser usadas para outras actividades (banho, consumo, etc.).

Destacar que a técnica actualmente usada, com recurso ao uso de mercúrio, para alem de ser altamente prejudicial a saúde e ao ambiente, resulta em perdas significativas de ouro durante o processo de amalgamação. Esta constatação foi comprovada durante o treinamento pela diferença dos resultados alcançados entre os formandos (usando técnica do mercúrio) e formadores (técnica borax). Uma das dificuldades verificadas é que na técnica usada pelos garimpeiros locais não se consegue captar o ouro em pó durante a lavagem, porque este flutua; na nova técnica de lavagem consegue-se captar ate o ouro em pó. Note-se que a maior parte do ouro se perde durante a lavagem e a outra pequena quantidade perde-se na queima.


Notícia Por: Manuela Wing e Renato Uane

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