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Pequenas e médias empresas florestais contribuem pouco para combate a pobreza.
Pequenos e médios operadores florestais, estabelecidos no país, denotam a falta de capacidade empresarial para produzir dentro dos padrões e princípios comerciais aceitáveis.
Este facto, associado à ausência de fundos para financiar as suas actividades, impede-os de acederem a mercados competitivos e tornarem os seus negócios economicamente sustentáveis, revela um diagnóstico feito pelo Centro Terra, em 15 distritos das três regiões do país.
Segundo o estudo, a falta de noções básicas de gestão de negócios, é notória na maioria das empresas madeireiras, carvoeiras, de produção de estacas para a construção de habitações e de apicultura, baseadas na comunidade.
O estudo abrangeu 30 pequenas e médias empresas florestais, localizadas em diferentes pontos das províncias de Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala, Manica, Tete, Zambézia, Nampula e Cabo-Delgado, escolhidos segundo o seu nível de cobertura florestal.
O mesmo tinha como objectivo avaliar o impacto das pequenas e médias empresas florestais na redução da pobreza e no maneio sustentável das florestas, bem como identificar factores que facilitam ou dificultam a sua rentabilidade e sustentabilidade.
O diagnóstico tem em vista a inserção deste tipo de unidades produtivas numa rede internacional designada “Forest Connect” que integra, para além de Moçambique, a Etiópia, Gana, Mali e Burkina-Faso, em África, China, Índia, Laos e Nepal, na Ásia, Guiana, e Guatemala na América do sul e central, respectivamente.
Esta aliança global pretende, dentre outras acções, reforçar a capacidade das pequenas e médias empresas florestais de gerar rendimentos, através da sua conexão aos mercados internacionais, usando novas tecnologias de informação e comunicação.
O projecto Forest Connect é co-financiado pelo Instituto Internacional do Ambiente e Desenvolvimento (IIED) e pelo Fundo das Nações Unidas para a alimentação (FAO).
Em Moçambique, esta iniciativa é implementada pelo Centro Terra Viva (CTV), em colaboração com algumas instituições governamentais que actuam nas áreas de investigação florestal de do desenvolvimento rural.
Para avaliar o estágio actual do Forest Connect, nos 11 países já referidos, reuniram-se recentemente em Edinburgh, na Escócia, os representantes das instituições implementadoras da iniciativa.
No encontro foi destacada a necessidade de providenciar às pequenas e médias empresas florestais, todo o conhecimento técnico inerente às suas actividades, de modo a fortalece-las para que possam gerar rendimentos consideráveis, que poderão ajudar no combate a pobreza ao nível local.
Esta matéria constitui um grande desafio para as instituições que implementam o Forest Connect, uma vez que na sua maioria não têm vocação empresarial, afirma Alda Salomão, Directora Executiva do CTV, que participou naquele evento.
Segundo ela, durante o seminário, peritos das diferentes áreas empresariais apresentaram as principais questões a ter em conta na capacitação das pequenas e médias empresas florestais e anunciaram algumas fontes de informação específica, sobre determinadas matérias, bem como de oportunidades de formação, que podem ser exploradas.
Alda Salomão sublinha que o CTV tem estado a reflectir sobre esta questão e as primeiras considerações apontam para dois cenários:
“O primeiro é nós tentarmos criar capacidade interna, termos alguém dentro da instituição que perceba de gestão de negócios e de análise de mercados para complementar a componente de análise de política e legislação que o CTV já faz. Outra alternativa será o CTV identificar parceiros, fora da instituição, que possam trazer esta mais valia para o processo de implementação do Forest Connect”, revelou.
Para Alda Salomão, o CTV está disposto a enfrentar este desafio uma vez que a instituição escolheu o maneio comunitário dos recursos naturais como área de intervenção, ao nível local, na vertente dos aspectos legais e institucionais, acrescentando que “ quando nos propuseram fazer parte do Forest Connect, vimos nesta proposta uma oportunidade de complementar o que vínhamos fazendo. Por tanto, passamos a intervir na área do maneio comunitário, nas duas vertentes, organização institucional, direitos, segurança de posse, etc., mas também apoiar actividades de geração de rendimentos com base nos recursos existentes nas áreas de maneio comunitário”, frisou.
Segundo dados oficias, funcionam actualmente no país cerca de 202.801 pequenas e médias empresas florestais, 96% deste universo, como informais.
Para a integração destas unidades produtivas na rede global, Forest Connect, mais informações sobre a situação em que se encontram terão de ser recolhidas e analisadas, reconhece, Alda Salomão, Directora Executiva do Centro Terra Viva.
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