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A Reunião acolherá alguns dos melhores especialistas florestais da Inglaterra, da África do Sul, Burkina Faso, Malawi, da Tanzânia, da África do Sul, do Uganda, dos Camarões, do Niger, do Gana, da Índia, da Indonésia e do Vietname"

Data: 1ª semana se Dezembro

Local: Vila da Namaacha

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Acesso à terra
Um direito cada vez mais distante?


Fotografia:Lino Manuel

Por: Issufo Tankar

A Terra continua sendo um dos poucos recursos naturais acessíveis à maioria dos Moçambicanos, independentemente da sua condição social, política e económica. Contribui para tal a actual legislação de terras que, apesar de estabelecer a obrigatoriedade do pagamento de taxas pelos titulares do Direito de Uso e Aproveitamento da Terra, atribui ao Estado e suas instituições, bem como às Associações de Utilidade Pública, reconhecidas pelo Conselho de Ministros, (explorações familiares, comunidades locais e pessoas singulares que as integram, bem como as cooperativas e associações agro-pecuárias nacionais de pequena escala), o direito de utilização gratuita da terra.


Por outro lado, o Governo Moçambicano decidiu aplicar taxas simbólicas para aqueles que pretenderem usar a terra como um bem para gerar riqueza, como forma de estimular o investimento no campo, tanto para ricos assim como para pobres.
No entanto, o Governo de Moçambique (GdM) e o Grupo de Parceiros de Apoio Programático (PAP´s), decidiram introduzir na Matriz do Quadro de Avaliação do Desempenho do executivo moçambicano, para o ano 2010, a título excepcional, um novo indicador sobre a taxa de Direito de Uso e Aproveitamento da Terra (DUAT), tendo para o efeito, constituído um Grupo de Trabalho para definir o indicador especifico sobre a matéria, estabelecer metas e elaborar a respectiva Nota Técnica para 2010.


O Governo de Moçambique e os Parceiros de Apoio Programático, justificam a necessidade de actualizar as taxas de DUAT, alegando o facto da dinâmica socioeconómica nacional e internacional ter desfasado as actuais taxas de Uso da terra, com o valor do dólar americano a variar de 11,00mts em 1997 para 28,00mts em 2009. Por outro lado, argumentam que a taxa de DUAT não influencia a utilização efectiva da terra concedida, dado o seu simbolismo, para além de não premiar quem a usa e penalizar quem não a usa, o que propicia a especulação da terra quer internamente, como a nível internacional.


Porém, embora seja um facto que as taxas de DUAT estejam desajustadas em relação às condições socioeconómicas actuais, a intenção de revê-las suscita muitas dúvidas, pois os argumentos evocados provam que o aumento destas terá um impacto inverso ao previsto, tal como aconteceu com a reforma do sector de Cajú em meados da década 90, se não vejamos:
O Governo e Parceiros de Apoio Programático argumentam que a taxa de DUAT não influencia a utilização efectiva da terra concedida. Por isso, pretendem agravá-la como forma de reverter a situação, esperando-se que com isso as pessoas passem a usar efectivamente a terra de modo a obter receitas que cobrem os custos relacionados com a manutenção das áreas concedidas. Na nossa opinião, o agravamento das taxas de Uso e Aproveitamento da Terra apenas irá penalizar 15% dos titulares do DUAT com obrigações de pagar as respectivas taxas tal como acontece actualmente, permanecendo os restantes 85% sem cumprir com estas obrigações, sobretudo na situação actual em que a capacidade de fiscalização é bastante fraca, para além da incapacidade dos funcionários do Estado de agirem contra pessoas bem posicionadas político-económica e socialmente, mesmo que não estejam a cumprir com os planos de exploração, apesar da Lei de Terras prever a expropriação do DUAT, caso o titular não cumpra com o plano de exploração, mesmo estando a pagar as respectivas taxas.

Somos da opinião de que o esforço do governo, parceiros e da sociedade no geral, devia centrar-se em melhorar a colecta de receitas de taxas de DUAT de modo a aumentar o leque de contribuintes dos actuais 15 para próximo de 100%. Isto só pode ser alcançado caso exista vontade política para o efeito e o envolvimento de todos na fiscalização da aplicação dos planos de exploração aprovados durante o pedido de DUAT.

Para o efeito, torna-se imperioso procurar formas de estimular a participação das comunidades no processo de fiscalização devendo o Estado tornar públicos os plano de exploração da terra, divulgando-os, para além de criar mecanismos de partilha de benefícios para os cidadãos envolverem-se tanto na fiscalização assim como na gestão sustentável e racional da terra tal como já vem acontecendo no sector das florestas e fauna bravia em que 20% das receitas provenientes das taxas de exploração florestal e faunística revertem a favor das comunidades para além de que 50% do valor das multas é distribuído pelos agentes envolvidos na sua aplicação, por exemplo.
Na nossa opinião, o envolvimento das comunidades pode contribuir para aumentar o leque dos contribuintes bem como dos utilizadores da terra, aumentando deste modo as receitas a serem cobradas pelo Estado, para além de impulsionar outros sectores da economia nacional que dependem essencialmente da disponibilidade de produtos agrícolas.(x)

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