Eventos |
|
|
|
|
Turismos contribui pouco para a redução da pobreza nas Comunidades rurais

Fotografia: Gentilmente cedida pelo Instituto de Comunicação Social
Por: Issufo Tankar
Moçambique é um país que possui vários recursos naturais de interesse turístico, distribuídos pelos cerca de 800 000 Km2 de superfície, dos quais 2.700Km são de linha de costa, onde existem praias de rara beleza.
As regiões do interior são marcadas por lindas paisagens e por uma diversidade de espécies faunísticas e florestais, algumas das quais, de ocorrência única no nosso país. Associam-se a estas potencialidades a hospitalidade dos moçambicanos de todos os quadrantes e outros valores culturais, tais como o artesanato e a gastronomia.
Para além destes atractivos turísticos, o país goza duma estabilidade política e social, dois factores importantes que favorecem o desenvolvimento do turismo.
Pelas razões apontadas, o governo toma este sector como estratégico e acredita que pode contribuir, de forma significativa, para se alcançar o desenvolvimento socio-económico do país, uma vez que tem a capacidade de atrair investimentos nacionais e estrangeiros e criar uma indústria de trabalho intensivo, com grandes oportunidades de emprego.
Esta visão do executivo, em alguns aspectos, traduz-se em realidade, estando o turismo a registar um crescimento assinalável, em quase todo o país.
Em 2008 por exemplo, o Estado arrecadou cerca de 163 milhões de dólares americanos, provenientes das taxas de exploração turística e gerou cerca de 37 mil novos postos de trabalho. No entanto, apesar deste crescimento, as comunidades rurais não têm tirado grande proveito destes benefícios sociais e económicos que são alcançados com base nas potencialidades turísticas existentes nas suas zonas.
De um modo geral, o sector de turismo tem sido pouco eficaz no alívio à pobreza, uma vez que, no nosso entender, (i) beneficia somente um pequeno grupo de indivíduos; (ii) emprega maioritariamente mão-de-obra não qualificada, gerando salários baixos; (iii) existe pouca ênfase no turismo baseado nas comunidades; (iv) as comunidades locais não tem o conhecimento ou poder de negociar o seu papel no desenvolvimento de empreendimentos turísticos; (v) a maioria dos empreendimentos localiza-se nas praias e/ou nas áreas de conservação.
Face a esta realidade e reconhecendo, por um lado as potencialidades do país, na área do turismo e por outro a pobreza que afecta a maioria das comunidades rurais, em quase todo o território nacional, julgamos ser imperioso repensar as estratégias deste sector, para que efectivamente contribua para o melhoramento das condições de vida das populações mais empobrecidas, mas detentoras de preciosos recursos naturais.
Voltar
|
|
|