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Desempenho ambiental da província de Maputo no último trimestre abaixo das expectativas


Fotografia: Marcos Pereira(ICM)

Por: Lino Manuel

A província de Maputo não alcançou, no último trimestre, de Abril a Junho do corrente ano, resultados significativos no que concerne à gestão do ambiente e desenvolvimento sustentável, concluiu a governadora da província, Telmina Pereira, durante a IV Sessão do Conselho de Desenvolvimento Sustentável (CONDES), a nível provincial, recentemente realizado na Matola.

Queimadas descontroladas, erosão, conflito Homem-fauna bravia e, acima de tudo, a ocupação desordenada da terra, são alguns dos problemas ambientais que persistem, em três dos sete distritos da província Maputo, sendo este último mais notável na cidade da Matola.

O conflito Homem-fauna bravia é gritante no distrito da Moamba, com um total de 12 pessoas mortas, 56 cabeças de gado bovino e caprino devoradas e 52 animais selvagens, tidos como problemáticos, abatidos no período entre 2007 ao presente ano. Leões, elefantes e crocodilos são as espécies que mais conflituam com a população naquele distrito.

Situação idêntica regista-se em Magude, mas com menor incidência mercê de algumas medidas de mitigação tomadas pelo governo do distrito, como por exemplo a abertura de furos para a captação de água em zonas afastadas dos riachos frequentados pelos animais bravios.

Refira-se que estes dois distritos fazem fronteira com o Kruger National Park, na África do Sul, zona de conservação da biodiversidade bastante rica em fauna bravia.

Estado devia vedar as zonas afectadas pelo Conflito Homem-Fauna Bravia sugere Administrador de Magude

Se a situação se mantiver como está, o número de vítimas mortais devido ao conflito Homem-fauna bravia poderá aumentar, na província de Maputo, nos próximos anos, alertou Zeferino Cavele administrador do distrito de Magude.

Este acrescenta que a teoria segundo a qual onde for abatido um elefante, o outro não aparece, “Isso não passa de um mito porque nós presenciamos casos de animais desta espécie que persistem em aparecer nos mesmos lugares onde os seus semelhantes foram mortos”.

Para Cavele a solução passa pela vedação de todas as zonas onde o fenómeno ocorre e esta medida devia ser implementada pelo Estado, visto que, os operadores das fazendas do bravio não o fazem integralmente, se não nas áreas onde operam. Adiantou que as comunidades, desesperadas, acusam o governo de não honrar o compromisso que assumiu de controlar a fauna.

Também o distrito de Matutuine, mais a sul da província, regista casos deste tipo de conflito, mais concretamente, ao longo da Reserva de Maputo, onde abunda o porco-do-mato, espécie que se transformou numa autêntica praga naquela região, comprometendo a produção agrícola no sector familiar e a segurança alimentar, disse o administrador daquele distrito, Mário Bombi.

Comentando à sugestão de vedar as áreas afectadas pelo conflito Homem-fauna bravia, avançada pelo administrador do distrito de Magude, a Governadora da província de Maputo, Telmina Pereira, disse que o Estado não tem recursos financeiros suficientes para efeito: “ O nível de investimento que precisaríamos de fazer como Estado pode superar a nossa capacidade neste momento, mas o fundamental é sabermos quanto é que isso iria custar porque não é um trabalho de pouca monta”.

A Governadora defende ainda, que os governos dos distritos mais afectados pelo conflito homem-fauna bravia devem apostar na concessão das áreas de maior ocorrência de animais selvagens à operadores de fazendas do bravio, como forma de mitigar o problema.

“Eu penso que nós devíamos tentar encontrar uma forma de os investidores avançarem efectivamente na realização daquelas propostas de trabalho que nos apresentam, porque infelizmente o nosso Estado não tem recursos suficientes para fazer o tipo de vedação que é necessária para controlar vários tipos de animais”, sublinhou.

Praia da Macaneta seriamente ameaçada pela erosão

Enquanto isso, o efeito combinado da erosão fluvial e costeira, na foz do Rio Incomáti em Marracuene, põe em perigo a chamada “garganta” da Macaneta, aumentando o risco da intrusão salina naquele curso de água doce, para além da destruição de dunas primárias.

As autoridades locais mostram-se agastadas com o problema e dizem que os parceiros se recusam a financiar acções de mitigação daquele fenómeno alegadamente porque a zona afectada é explorada por operadores turísticos privados, a quem se espera que se envolvam na luta contra a erosão, para salvaguardar os seus negócios.

A extracção de areia junto aos Rios Incomáti e Umbelúzi em Moamba, Magude e Boane, respectivamente, também está a produzir impactos perniciosos ao ambiente. Os areeiros estendem a sua actividade para o leito e margens daqueles cursos de água, provocando a erosão e dificultando a captação da água para a irrigação de culturas.

Outro problema ambiental com que a província se debate é a prática de queimadas descontroladas. A título de exemplo, 32.000 hectares de floresta foram destruídos pelo fogo no distrito da Manhiça, no ano passado. As autoridades locais dizem ter havido uma redução em 10%, cifra que está aquém das expectativas, segundo disse a Governadora. “Isto não parece significativo para todo o trabalho de divulgação da legislação e de práticas de redução de queimadas que está sendo feito. Talvez tenhamos que aprofundar um pouco mais”, recomendou.

De acordo com aquela governante, a prevalência das queimadas descontroladas em quase todos os distritos da província, prova que as comunidades ainda não estão consciencializadas o suficiente, apesar de haver acções de sensibilização.

Telmina Pereira reconhece que embora o governo da província tenha iniciado o plantio de árvores, a nível das escolas, continua um desafio o cumprimento da orientação presidencial, segunda a qual, cada comunidade deve ter a sua floresta, como forma de garantir a reposição das árvores destruídas, tanto pelo corte para a produção de carvão e lenha como pelas queimadas descontroladas, que ano após ano, consomem a vegetação da província.

“Estamos a registar alguns avanços no envolvimento de carvoeiros nesta iniciativa mas ainda assim, não será uma solução a curto prazo porque as plantas que estamos a repor agora talvez só em 2019 ou 2020 é que serão usadas para os diferentes fins”, concluiu.

A Governadora da província de Maputo, exortando a todos os administradores dos distritos a acelerarem o processo de planificação do uso da terra e a redobrarem esforços na educação e consciencialização das comunidades sobre o desenvolvimento sustentável.

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