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Data: 1ª semana se Dezembro

Local: Vila da Namaacha

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Intercâmbio na área do turismo Comunitário leva CTV à Tailândia e Namíbia


Fotografia: Tânia Jamisse Paco

Por: Tânia Jamisse Paco

Nos meses de Maio e Junho de 2009, o CTV teve o privilégio de participar, com o apoio da Fundação Ford e do Fundo Mundial para a Natureza (WWF) em duas visitas de troca de experiência sobre Turismo Comunitário à Tailândia e Namíbia. As visitas tinham como objectivo principal colher experiências no que toca a modelos ideais de parcerias entre o sector privado e as comunidades e sobre o papel desempenhado pelas ONG’s na facilitação das capacitações comunitárias e como intermediárias do relacionamento entre as comunidades e o sector privado, assim como o desempenho do governo no desenho de políticas e como mediador de conflitos entre os intervenientes.

Na Tailândia, o CTV teve a oportunidade de visitar a Comunidade de Leeled, localizada na província de Surat Thani, região Sul daquele país asiático.

Nesta deslocação foi possível explorar um modelo diferente de se fazer turismo, através da recepção dos visitantes nas famílias locais, permitindo a estes vivenciar o dia-a-dia das comunidades, os seus hábitos (ex: a pesca, culinária), os seus costumes e cultura (foi apresentada uma peça de teatro por um pequeno grupo de actores).

Por seu turno, a visita à Namíbia, na qual tomaram parte representantes de diferentes sectores (turismo, agricultura, florestas e fauna bravia, dentre outros) de 6 países, nomeadamente, Moçambique, Zâmbia, Botswana, Malawi, Zimbabwe e Namíbia, foram visitadas diversas estâncias turísticas, cada uma com a sua especificidade.

No entanto, em todas elas, constatou-se que a participação da comunidade estava bastante assente e se fazia sentir, principalmente, através do emprego de membros da comunidade nos diversos empreendimentos (guias turísticos, empregados de mesa, cozinheiros, mulheres da limpeza, etc).

Constatou-se ainda, que o uso de carne de caça distribuída aos membros da conservancy (comunidade) obedecendo a quotas estipuladas pelo governo, funciona como um dos principais métodos que as comunidades usam para beneficiar a cada um dos seus membros.

Das principais constatações que são comuns aos 2 países, destacam-se:

A identificação de um parceiro privado e a negociação de um modelo de parceria durante as primeiras fases de implementação de projectos de turismo comunitário, demonstrou ser um ponto bastante importante para o processo de implementação de um projecto desta natureza;

A necessidade de um sistema efectivo e regular de monitoria e avaliação de resultados, assim como de controlo das finanças (ex: MOMS- Management Oriented Monitoring System);

A importância da formação de um comité de gestão que represente a comunidade e participe activamente na tomada de decisões relacionadas com o empreendimento turístico;

O papel preponderante das ONG’s na consciencialização das comunidades no que toca aos seus direitos, na identificação de parceiros e no estabelecimento de parcerias que beneficiem, não apenas ao sector privado, mas principalmente as comunidades que são as detentoras e protectoras dos recursos naturais e na facilitação de capacitações contínuas que beneficiem os implementadores dos projectos, de forma a que os padrões de qualidade dos empreendimentos não só se mantenham nos mesmos níveis, mas melhorem;

Uma boa estratégia de marketing é o ponto chave para o sucesso de um empreendimento turístico, principalmente quando aliado á valorização da cultura local;

Um bom relacionamento (sinergia) entre as ONG’s e o governo, para evitar a duplicação desnecessária de tarefas (esforços) e a repetição de actividades (ex: tomar em consideração os planos do governo para as áreas pretendidas).

Apesar destes países estarem bastante desenvolvidos no sector do turismo, mais especificamente no turismo comunitário, ainda encontram alguns constrangimentos para a implementação dos empreendimentos/projectos, tais como:

Dificuldades de acesso e comunicação com algumas áreas abrangidas pelos projectos comunitários, o que dificulta a colaboração das ONG’s com as comunidades na implementação dos mesmos;

Conflito homem Vs fauna bravia (Namíbia);

Dificuldades de acesso á água para funcionamento do empreendimento (muitas vezes a água tem de ser trazida de pontos muito distantes até ao local do projecto);

Distância entre o ponto de localização dos restantes intervenientes (ex: ONG’s e Governo);

Nestes, constata-se ainda que o Governo tem uma abordagem diferente com as comunidades. Por exemplo, na Tailândia, o governo participa activamente na implementação dos projectos. Enquanto que na Namíbia, o governo não participa tão activamente, sendo as ONG’s as responsáveis pela facilitação do relacionamento entre o sector privado e as comunidades, assim como na identificação de parceiros ideais e do modelo de parceria. Apesar desta diferença, ambos os esquemas parecem estar a funcionar.

Conclusão: Todas estas constatações demonstram que o papel do Governo e das ONG’s são um complemento importante para o sucesso de um projecto de Turismo Comunitário, mas a identificação e negociação de um modelo de parceria ideal é o que torna um empreendimento turístico “um negócio da China”, que se espelhe na comunidade.

O CTV, que tem vindo a trabalhar em projectos de geração de rendimento, incluindo projectos de Turismo Comunitário no distrito de Zavala, província de Inhambane, pôde tirar um grande benefício destas duas visitas, no que diz respeito ao papel das ONG’s na parceria com as comunidades, assim como permitiu que a identificação e participação do sector privado neste tipo de colaboração fosse um tema a ser colocado na mesa de discussão com as comunidades.

Foi também reconfortante notar que as dificuldades encontradas no campo, aquando da implementação dos projectos, são bastante comuns quando se trabalha nesta área e, foi possível colher as diferentes formas para contornar os obstáculos, contribuindo para uma melhor implementação e sucesso dos projectos.

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