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Reunião anual do FGLG (Forest Governance Learning Group)

A Reunião acolherá alguns dos melhores especialistas florestais da Inglaterra, da África do Sul, Burkina Faso, Malawi, da Tanzânia, da África do Sul, do Uganda, dos Camarões, do Niger, do Gana, da Índia, da Indonésia e do Vietname"

Data: 1ª semana se Dezembro

Local: Vila da Namaacha

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Comunidades poderão ganhar dinheiro por preservar florestas

Comunidades poderão ganhar dinheiro por preservar florestas

O Mercado do Carbono, no quadro do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, criado à luz do Protocolo de Quioto, permite a negociação de quotas de emissão de Gases de Efeito Estufa entre os países industrializados e as nações em vias de desenvolvimento. Este mecanismo limitou-se, até agora, a financiar iniciativas de reflorestamento e plantações florestais, para além de apoiar as indústrias que optam pelo uso de energias renováveis e/ou menos poluentes.

Todavia, a contribuição das florestas tropicais na conversão de gases de efeito estufa, impulsionou a renegociação da Convenção Quadro sobre as Mudanças Climáticas para colocação do carbono absorvido pelas formações florestais no mercado. Esta iniciativa é conhecida como Mecanismo de Redução de Emissões resultantes do Desmatamento e Degradação de Florestas Áridas (REDD), que pretende compensar monetariamente, comunidades ou outras entidades que preservarem as florestas.

O REDD está ainda na fase de estudo, nos diferentes países do mundo, para determinar os benefícios que o mesmo irá trazer, principalmente às comunidades rurais, comparativamente às actividades que desenvolvem na floresta, para garantir a sua sobrevivência.
No continente Africano, o estudo decorre em Moçambique, Zâmbia e Tanzânia, países localizados na chamada ecoregião do Miombo, onde se pretende implementar este novo Mecanismo.

A escolha da ecoregião do Miombo surge do facto de, este tipo de bioma ser o mais predominante na região do Zambeze, que se estende por onze países do continente, nomeadamente, Moçambique, Malawi, África do Sul, Zimbabué, Zâmbia, Botswana, Namíbia, Angola, Burundi, República Democrática do Congo e Tanzânia, cobrindo uma área de 3.6 milhões de quilómetros quadrados. Esta ecoregião constitui a maior zona ecológica da África Austral, Central e Oriental, com extensas áreas de savanas e terras húmidas.

Estudos realizados nesta ecoregião indicam que mais 1.4 milhões de hectares de floresta de Miombo foram devastados entre os anos de 2000 a 2005. A agricultura itinerante é apontanda como uma das principais causas do desmatamento, seguido da extracção da biomassa vegetal para a energia, construção, entre outras aplicações.

Em Moçambique estima-se que, anualmente se perdem cerca de 219 mil hectares de floresta de Miombo. Evidências científicas sustentam que a perda da cobertura florestal, nos países da ecoregião do Miombo está associada à pobreza e limitado acesso à fontes energéticas alternativas.
A compensação pelo não desflorestamento e degradação das florestas surge como uma oportunidade para incentivar as comunidades a adoptarem práticas de uso e gestão sustentável das florestas.

Moçambique apresentou já uma proposta para financiamento de um projecto no âmbito deste mecanismo. Porém, embora não sejam ainda conhecidas as suas reais vantagens, o Centro Terra Viva (CTV), em parceria com o Instituto Internacional do Ambiente e Desenvolvimento (IIED) da Inglaterra, realizou uma pesquisa que avaliou as potencialidades do país, em termos de recursos florestais, o quadro legal existente e as opções para a implementação deste novo mecanismo.

As constatações deste estudo foram apresentadas aos diferentes intervenientes do sector florestal, entre instituições do Estado e da sociedade civil, incluindo estabelecimentos de ensino superior, num encontro havido no início do mês de Abril na capital do país. Os participantes do encontro foram unânimes em considerar que embora o quadro legal moçambicano seja favorável à implementação do Mecanismo REDD, o grande constrangimento é a fraca implementação das políticas do sector florestal.

Concluíram também que será necessário rever a legislação do sector para acomodar o novo mecanismo, clarificar os benefícios para as comunidade assim como propor potenciais áreas para a implementação deste mecanismo.
Propuseram ainda a realização de um estudo para analisar os custos e benefícios dos diferentes tipos de uso da terra, comparando-os com as oportunidades oferecidas pelo Mecanismo REDD bem como instituir modalidades de pagamento favoráveis para as comunidades.

Estas e outras constatações serão discutidas na reunião regional sobre o Mecanismo REDD, prevista para os meados do mês de Abril corrente, em Joanesburgo, na África do sul. As decisões que forem a sair deste encontro serão apresentadas numa conferência mundial sobre a matéria, em Copenhaga, na Dinamarca, em finais deste ano.


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