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Urge institucionalizar a área de conservação transfronteiriça – Zimoza (Zimbabwe, Moçambique e Zâmbia).

Passam cerca de sete anos desde que os governos do Zimbabwe, Moçambique e Zâmbia, lançaram a iniciativa de conservação comunitária e conjunta dos recursos naturais, numa área de 230 000 hectares, distribuídos pelos três países, denominada ZIMOZA, sigla que corresponde às iniciais de cada um dos Estados envolvidos.
No nosso país, esta área abrange os distritos de Mágoè e Zumbu, na província de Tete, enquanto que no Zimbabwe e Zâmbia, compreende as regiões de Guruve e Luangwa, respectivamente, ambas banhadas pelo Rio Zambeze.
Em 2003, os pontos focais deste programa, ao nível dos três governos, reuniram-se e produziram uma proposta de acordo tripartido para o estabelecimento da referida área de conservação. Contudo, somente no ano passado é que se iniciou a revisão da proposta preliminar como forma de se caminhar rapidamente para uma versão final, que possa ser aprovada. Por outro lado, as comunidades das zonas abrangidas pelo ZIMOZA foram, desde logo, informadas da existência desta iniciativa e dos benefícios que ela traria.
Do lado moçambicano, por exemplo, o governo iniciou em 2007 a sensibilização e capacitação das populações dos distritos de Mágoè e Zumbo, explicando-lhas os objectivos do programa ZIMOZA e as suas implicações, bem como o papel que elas jogariam neste processo.
O atraso na finalização de todos os procedimentos inerentes à criação da área de conservação transfronteiriça ZIMOZA frustra as expectativas das comunidades locais. De salientar que, as populações dos distritos de Máguè e Zumbo, estão envolvidas na conservação e preservação dos recursos naturais, desde princípios do ano 1995, altura em que o projecto Tchuma Tchato foi lançado.
Este envolvimento trouxe, nos últimos anos, alguns benefícios sociais e económicos que lhes permitiram adquirir moageiras para a farinação de milho, construção de salas de aulas com materiais convencionais, postos sanitários e, em alguns casos, a compra de tractores para actividades agrícolas.
O dinheiro provem das taxas de exploração dos recursos naturais ali existentes, especialmente a fauna, pagas anualmente pelos operadores estabelecidos na zona. Por esta razão, a inclusão de Báruè e Zumbo num programa transfronteiriço de conservação, representaria uma mais valia. Esta teria sido a razão pela qual as comunidades se entusiasmaram quando o anúncio da implantação do ZIMOZA foi feito. Sete anos depois, esta iniciativa não passa de uma boa intenção dos seus mentores.
Reconhecendo a sua importância no alcance dos objectivos de conservação dos recursos naturais e na melhoria das condições de vida das comunidades rurais, a “African Wildlife Foundation" (AWF), reuniu recentemente em Harare, os pontos focais da parte dos governos dos três países e os das organizações da sociedade civil, com vista a acelerar o processo da implantação daquela área de conservação. O Centro Terra Viva foi uma das ONG´S convidadas ao encontro. Os participantes desta reunião foram unânimes em considerar urgente a institucionalização do ZIMOZA, pois segundo eles, à medida que o tempo passa, alguns dos problemas que a iniciativa pretendia resolver agudizam-se.
Um destes problemas é o conflito Homem – fauna bravia que vem assumindo proporções alarmantes em algumas das regiões abrangidas por este programa. Segundo a Engenheira Paula Reis, coordenadora da Área de Conservação Transfronteiriça de Chimanimani e ponto focal do ZIMOZA junto ao Ministério do Turismo, do lado moçambicano o processo está concluído, incluindo a apresentação do conteúdo da proposta de acordo tripartido às comunidades dos dois distritos abrangidos pela iniciativa ZIMOZA e respectiva consulta pública, tendo em vista a sua implementação.
Por seu turno, os representantes do Zimbabwe e da Zâmbia, deram a indicação de que também nos seus países, tudo está sendo feito para que finalmente se termine, quanto ante, com o processo que culminará com a assinatura de um acordo, oficializando a área de conservação transfronteiriça ZIMOZA, juntando parte dos territórios do Zimbabwe, Moçambique e da Zâmbia, ao longo do rio Zambeze, uma zona rica em biodiversidade.
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