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Gás natural substitui carvão e diesel na produção de cimento.
A fábrica de cimento da Matola inaugurou, recentemente, uma estação de gás natural, nas suas instalações, que vai substituir o carvão mineral e o gasóleo, usados na cozedura da argila e do calcário, principais matérias-primas para a produção do cimento.
A queima destes dois combustíveis, para a alimentação dos fornos, resulta na emissão de cerca de 150 mil toneladas de dióxido de carbono (CO2) por ano, conforme anunciaram os responsáveis da fábrica. O facto foi tornado público numa audiência, a primeira realizada desde que aquela unidade industrial foi privatizada, após a independência.
Com a utilização do gás natural na produção do cimento, a libertação de CO2 poderá reduzir para pouco mais de metade, adiantou o Engenheiro José Machado, um dos membros da direcção da fábrica da Matola.
Segundo ele, a substituição do carvão e diesel pelo gás natural, foi possível graças ao crédito de carbono que a fábrica de cimento da Matola teve acesso, no âmbito do sistema de comércio internacional de emissões de CO2, em vigor desde 2005, a nível internacional.
Sem revelar o país ou instituição que concedeu o crédito de carbono à sua empresa, José Machado salientou que o gás natural é mais caro que o carvão mineral mas “Como todos sabemos, existem, a nível internacional, instituições que premeiam iniciativas de redução de CO2 e porque vamos mudar do carvão para o gás natural, pouparemos 70 mil toneladas de dióxido de carbono por ano e seremos pagos por isso. Com esse diferencial vamos tornar o nosso projecto viável,” sublinhou.
Este mecanismo está previsto no artigo 17 do Protocolo de Quioto, de que Moçambique é signatário e preconiza que os países comprometidos com a redução de gases com efeito estufa podem negociar o excedente das metas de emissões entre si.
Entretanto, Moçambique e outros países em vias de desenvolvimento, não têm metas de redução de emissões do gás carbónico estabelecidas pelo protocolo de Quioto, tal como acontece com as nações industrializadas.
Contudo, não se devem subtrair dos esforços desenvolvidos, a nível mundial, para a diminuição do CO2 e de outros gases com efeito de estufa, durante os processos produtivos, através da utilização de energias limpas, bem como pela adopção de medidas de gestão ambiental.
Os direitos do crédito de carbono concedido à fábrica de cimento da Matola, são detidos pela empresa Matola Gás Company, que passa a fornecer gás natural àquela unidade industrial, a um preço bonificado.
Para as organizações de defesa do ambiente, a substituição do carvão mineral e do diesel pelo gás natural, na fábrica de cimento da Matola, foi influenciada pela reclamação das populações circunvizinhas daquela unidade industrial, adicionada à pressão das ONG´s para que a cimentos de Moçambique reduzisse a poluição atmosférica.
Actualmente, a fábrica liberta pouco menos de 50 miligramas de partículas por nanómetros cúbico, contra 100 que emitia antes de instalar electrofiltros, assegurou o Engenheiro José Machado.
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